A última vez que uma supernova brilhou intensamente o suficiente para ser vista a olho nu de forma espetacular foi em 1987, com a famosa SN1987A na Grande Nuvem de Magalhães. Antes dela, a histórica SN1006 explodiu na Via Láctea atingindo a magnitude estimada de -7,5, ofuscando o brilho máximo de Vênus. Porém, para quem observa o céu do próprio quintal, esperar séculos por um evento local não é uma estratégia, digamos, "viável".
A solução prática está em olhar além da Via Láctea. Supernovas extragalácticas ocorrem com frequência suficiente para que haja chances reais de capturar a luz de uma estrela "convalescente" a milhões de anos-luz de distância. Com um telescópio de 150mm ou 200mm, você pode adicionar esses alvos à sua lista. O truque não está apenas em usar aberturas maiores, mas ainda em saber exatamente onde — e quando — procurar.
Seu ponto de encontro com as supernovas
Como as supernovas extragalácticas estão muito distantes, o brilho aparente delas cai drasticamente, costumando ficar entre as magnitudes 11 e 14 — com algumas poucas exceções de supernovas provenientes de estrelas supergigantes, as hipernovas, que podem chegar a magnitudes de 10 ou 9 nos picos. De qualquer forma, a principal fonte de consulta para astrônomos amadores que caçam esses eventos é a página Latest Supernovae, mantida pela Universidade de Rochester.
A tabela lista as descobertas recentes, as galáxias hospedeiras e as magnitudes atuais. Em vez de depender de checagens manuais constantes, uma abordagem eficiente é, quando não se é muito familiarizado com Javascript, usar uma extensão de monitoramento de mudanças em sites pra navegadores como Firefox ou Chrome para monitorar a página automaticamente, configurando alertas para quando uma supernova atingir magnitude igual ou inferior a 12 — um brilho que já permite a caçada visual em noites de céu limpo.
Tabela de monitoramento de supernovas recentes. Ocasionalmente, alvos chegam a magnitudes acessíveis a telescópios médios.
Como planejar a observação
Notoriamente, a detonação estelar brilha mais do que o núcleo inteiro da galáxia que a abriga. A primeira supernova que observei, por exemplo, SN2012fr, na galáxia NGC 1367 atingiu a magnitude de 11,8, tornando-se assim um alvo perfeitamente observável através do meu Celestron C8 de 200mm.
Para ter sucesso na ocular, o planejamento é inegociável. Você precisará garantir que o ponto de luz identificado é de fato a supernova, e não uma estrela fraca pertencente à nossa galáxia sobreposta ao campo visual. Antes de ir para o telescópio, alimente as coordenadas da galáxia em softwares atualizados, como o SkySafari 8 Pro, analise o campo estelar profundo da região e identifique o padrão das estrelas de fundo. A supernova será o intruso que não consta nos catálogos originais do programa.
A SN1987A atingiu magnitude 2,9 na Grande Nuvem de Magalhães, mas é a exceção histórica, não a regra para observadores.
A importância do contexto na ocular
Ao apontar o telescópio, ajuste suas expectativas. Não espere um espetáculo colorido ou raios de luz evidentes. Alvos de magnitude 12 geralmente exigem paciência, aclimatação total ao escuro e às vezes o uso rigoroso da visão lateral (observar o objeto pela periferia do olho para ativar os bastonetes mais sensíveis da retina). Na maioria dos casos, o que você verá é apenas uma "estrelinha" extremamente apagada colada em uma mancha difusa.
A recompensa, no entanto, é puramente conceitual. O que a sua retina capta ao isolar aquele fóton distante não é apenas uma estrela fraca, mas o cataclismo que encerrou a vida de um sol supermassivo, enviando sua luz através do cosmos milhões de anos antes da nossa espécie sequer existir. Na astronomia amadora de céu profundo, o contexto é tudo.
Qual foi o objeto de magnitude mais extrema ou mais distante que você já conseguiu capturar visualmente com o seu equipamento?








